16 de setembro de 2001
Rio de Janeiro está ainda distante por 10.000 km. Foi outro lindo dia em Portugal, e desta vez sem ventos. Quando alcancei o Mediterrâneo, encontrei a mesma bruma seca de areia que dificultou todos os meus vôos no lado leste do continente africano: o horizonte sumiu novamente e mal distinguia o mar logo abaixo. Sem condições em fazer um desvio para ver a Rocha do Gibraltar!
Mesmo antes da tragédia nos Estados Unidos, Marrocos tinha muitas zonas onde é proibido voar.
Ao cruzar o Estreito de Gibraltar, a Rádio Tanger já me vetorizou para longe. Meu amigo Flemming, em Genebra, tinha me dado uma cópia das cartas especiais VFR de Marrocos. Me senti um completo idiota por tê-las deixado dentro da minha mala, enfiada atrás do meu assento onde era impossível abrir durante o vôo. Quando o controlador requisitou meus estimados de vôo para os pontos VFR, tive que admitir que não sabia. A primeira reação dele foi me obrigar a pousar em Tanger para obter as cartas. Eu trocava o inglês para o francês, argumentando que o motoplanador demora muito para ganhar altitude. Funcionou: ele me deu as coordenadas GPS para os pontos a serem reportados. Foi o primeiro exemplo da hospitalidade e boa vontade marroquina.
A 5.500 pés quase não consegui avistar o solo, mas com o novo piloto automático, não tive problemas em manter o Ximango nivelado. Percebi o quanto tinha sofrido sem piloto automático naqueles vôos difíceis pelas monções do Sudeste Asiático e a areia do Oriente Médio. Perto de Marrakesh, a visibilidade melhorou e pude distinguir a vaga forma das montanhas Atlas atrás da cidade. As centenas de complexos hoteleiros me surpreenderam. Não gostei de ver tanta água jogada fora para fazer quarto campos de golfe, desperdiçando um bem tão precioso no deserto para um objetivo tão fútil: quando nós começaremos a dar à água o valor merecido? Qual é a próxima futilidade no deserto? Pistas de esqui?
Depois de pousar, Mansur, o chefe do tráfego terrestre, me deixou passar da área de segurança para Briefing Room. Senti algo estranho neste aeroporto e finalmente descobri o que era. Sem exceção, todas as pessoas eram sorridentes e prestativas. Expliquei para Mansur que ia sair do aeroporto mais tarde porque queria trabalhar na aeronave. Na verdade, tinha que esperar duas horas para fazer a transmissão do avião para o Fantástico. Mansur sugeriu que eu fizesse alfândega e imigração somente quando estivesse saindo do aeroporto. Pela segunda semana consecutiva, a transmissão demorou muito por uma pessoa não ter aparecido no estúdio no Rio (mesmo não sendo um dia de sol para ir à praia). Como se eu não tivesse mais nada para fazer, se não ficar esperando no asfalto de um aeroporto em pleno Saara! Depois de esperar mais duas horas, finalmente consegui mandar as imagens via satélite através da linha ISDN da Embratel.
Quando me apresentei na imigração, quase 5 horas depois de aterrissar, houve um auê. “É você Monsieur Moss? Nós estamos lhe procurando por todos os lugares. Mandamos agentes especiais até o hotel que você indicou.”Eles pensaram que eu tinha fugido para a cidade sem fazer alfândega! Estava intimado a comparecer na Inspetoria Geral, mas quando perceberam que os controladores sabiam onde eu estava o tempo todo, eles se desculparam e me deixaram ir.
Mas a confusão não terminava por aí. Quando cheguei no hotel no centro da cidade, percebi que era muito barulhento e quis procurar outro. O motorista de táxi foi chamado para dentro do hotel e voltou muito nervoso. Pedi que encontrasse um hotel em uma rua mais calma e ele dirigia sem dizer nada. Quando ele parou para conversar com um policial, pensei que o tinham detido. Depois disso, ele acelerou na direção do aeroporto, dizendo que tinha que pegar alguns passageiros com urgência. Agarrei a direção e fiz força para fazer ele parar. Ele estava atônito quando sai do carro com minha bagagem, e voltou logo com outro policial. Mais uma vez, eu estava sob custódia!
Não entendi nada da conversa deles, mas finalmente adivinhei o que estava acontecendo. Estando na frente do Hotel Mamounia, perguntei se poderia fazer o check-in enquanto eles discutiam o meu caso. Permissão negada. Pus minha bagagem na calçada e esperamos. Mais policiais vieram, discutindo nervosos pelos rádios. Passaram 30 minutos antes de terem a confirmação do aeroporto que a Ordem de Busca por mim tinha sido cancelada e eu não era mais um homem procurado. Eles se desculparam muito, culpando o pessoal do aeroporto por não terem avisado eles antes. Paguei o táxi (ele até me deu um desconto!) e tudo ficou bem. Tenho que dizer que mesmo sob estas circunstâncias, eles foram extremamente cordiais e apesar do mau-entendido, me sinto completamente à vontade por aqui em Marrocos.
Então, para comemorar vou atrás de um bom cuscus…
Linhares–Vila Velha–Maricá–Rio de Janeiro – 568 km
28 de setembro de 2001
Recife–Lençóis – 915 km
26 de setembro de 2001
Fernando de Noronha – Recife 545 km
25 de setembro de 2001
Praia (Cabo Verde)–Fernando de Noronha (Brasil) – 2.315 km
24 de setembro de 2001
Dakar (Senegal)-Ilha do Sal-Praia (Cabo Verde)
24 de setembro de 2001
Nouadhibou (Mauritânia)–Dakar (Senegal) – 690 km
19 de setembro de 2001
Marrakesh (Marrocos)–Nouadhibou(Mauritânia) – 1.575 km
18 de setembro de 2001
Lisboa (Portugal)–Marrakesh (Marrocos) – 800 km
16 de setembro de 2001
Lisboa
15 de setembro de 2001
Cuatro Vientos(Espanha)–Cascais(Portugal) – 510 km
14 de setembro de 2001
Denham(Inglaterra)–Cuatro Vientos (Espanha) – 1.270 km
13 de setembro de 2001
Dieppe (França)–Denham (Inglaterra) – 220 km
10 de setembro de 2001
Amboise-Dieppe (França) – 220 km
9 de setembro de 2001
Worms (Alemanha)–Bruxelas (Bélgica)–Amboise (França)
7 de setembro de 2001
Aschaffenburg–Worms (Alemanha) – só 62 km
6 de setembro de 2001
Grenchen (Suíça)–Aschaffenburg (Alemanha) – 330 km
5 de setembro de 2001
Lausanne-Saanen-Grenchen (Suíça) – 125 km
3 de setembro de 2001
Brindisi-Biella-Aosta (Itália)-Lausanne (Suíça) – 1.130 km
29 de agosto de 2001
Iraklion (Grécia)-Brindisi (Itália) – 865 km
28 de agosto de 2001
Luxor (Egito)–Iraklion (Grecia) – 1.295 km
27 de agosto de 2001
Djibuti–Luxor (Egito) – 1.930 km
25 de agosto de 2001
Djibuti
24 de agosto de 2001
Mascate (Omã)-Djibuti – 2.170 km
23 de agosto de 2001
Ahmedabad (Índia)-Mascate (Omã) – 2.170 km
22 de agosto de 2001
Bhopal-Mumbai-Ahmedabad (Índia) – 1.110 km
20 de agosto de 2001
Yangon–Patna (Índia)–Bhopal (1.515 + 825) – 2.340 km
18 de agosto de 2001
Yangon (Birmânia)
17 de agosto de 2001
Nha Trang–Ho Chi Minh (Vietnã)–U-Taphao (Tailândia) – 875 km
14 de agosto de 2001
Macau–Nha Trang (Vietnã) – 1.600 km
13 de agosto de 2001
Hong Kong
11 de agosto de 2001
Ishigaki (Japão)–Macau – 1.110 km
10 de agosto de 2001
Kushidagawa-Miyazaki-Ishigaki -1.700 km
9 de agosto de 2001
Gakuen–Kushidagawa Glider Port (Japão) – 220 km
8 de agosto de 2001
Niigata–Gakuen (Japão)
7 de agosto de 2001
Juzhno Sakhalinsk (Rússia)-Niigata (Japão) – 1.040 km
6 de agosto de 2001
Ilha Sakhalin
5 de agosto de 2001
Khabarovsk-Juzno Sakhalinsk – 595 km
4 de agosto de 2001
Polina Osipenko–Khabarovsk – 455 km
2 de agosto de 2001
Polina Osipenko (Sibéria)
1 de agosto de 2001
Okhotsk–Polina Osipenko por Ayan – 880 km
31 de julho de 2001
Okhotsk, Sibéria
29 de julho de 2001
Magadan–Okhotsk – 425 km
29 de julho de 2001
Anadyr–Markovo–Magadan (Sibéria) – 1.490 km
28 de julho de 2001
Nome (Alasca)–Anadyr (Sibéria) via Gambell – 835 km
26 de julho de 2001
Nome–Shishmaref–Nome – 390 km
25 de julho de 2001
Fairbanks–Galena–Nome – 840 km
24 de julho de 2001
Ainda em Fairbanks!
23 de julho de 2001
Whitehorse, Canada-Fairbanks, Alasca – 435 km.
22 de julho de 2001
William Lake-Smithers–Whitehorse – 1.500 km em ziguezague
19 de julho de 2001
Seattle (USA)–Penticton (BC, Canadá)–Vernon-Williams Lake – 665 km
18 de julho de 2001
Seattle-Seattle!
17 de julho de 2001
EAA fly-in, Arlington, Washington
14 de julho de 2001
Portland –McMinnville–Portland–Seattle – 337 km
12 de julho de 2001
Salt Lake City (Utah)–Portland (Oregon) – 1.010 km
12 de julho de 2001
Cottonwood-Salt Lake City (EUA) – 865 km
10 de julho de 2001
Tucson–Cottonwood (Arizona, EUA) – 300 km
10 de julho de 2001
Torreón (México)–Tucson, Arizona (USA) – 1.085 km
8 de julho de 2001
Toluca–Torreón (México) – 795 km
7 de julho de 2001
Cidade da Guatemala-Tapachula (México) – Toluca. 1110 km
5 de julho de 2001
Cidade da Guatemala
3 de julho de 2001
Libéria (Costa Rica)–Guatemala City – 695 km
2 de julho de 2001
Cartagena (Colômbia)-Liberia (Costa Rica) – 1150 km via Panamá
1 de julho de 2001
Valencia (Venezuela) Cartagena (Colômbia) – 915 km
30 de junho de 2001
Canaima-Valencia (Venezuela) – 710km
28 de junho de 2001
Ciudad Guayana-Canaima – 230 km
27 de junho de 2001
Ciudad Guayana (Venezuela)
26 de junho de 2001
Boa Vista (Brasil)-Ciudad Guayana (Venezuela) – 650 km
26 de junho de 2001
Alta Floresta-Boa Vista – 1.520 km
25 de junho de 2001
Goiânia-Alta Floresta – 1.050 km
24 de junho de 2001
Sorocaba-Goiânia – 780 km
23 de junho de 2001
Sorocaba
23 de junho de 2001
Sorocaba
22 de junho de 2001
Rio de Janeiro – São José dos Campos
20 de junho de 2001
Porto Alegre-Venâncio Aires e de volta
6 de junho de 2001
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