Pesquisa Atmosférica

No dia 12 de abril de 1964, o piloto russo, Yuri Gagarin, tornou-se o primeiro homem
a fazer uma órbita da Terra. Suas primeiras palavras foram: “Vejo a Terra. Ela é linda.”

Pirapora, MG

As fábricas de Pirapora, MG que dão emprego mas, dependendo da direção do vento, infernizam a vida dos moradores da cidade. Foto Margi Moss

Algumas causas da poluição atmosférica têm origem natural, como erupções vulcânicas, por exemplo. Mas os maiores responsáveis pela deterioração do ar que respiramos somos nós, através de nossas indústrias, nossos veículos e nossas práticas agrícolas. Jogamos no ar tantas substâncias químicas que alteramos o equilíbrio natural da atmosfera, ameaçando a saúde de todos os seres vivos a bordo desse objeto voador chamado Terra.

Durante o vôo do Ximango ao redor do mundo, foi realizado um trabalho de monitoramento do ar. Os dados levantados visavam ajudar a entender para onde migram os compostos químicos e como se transformam de acordo com a altitude e a temperatura. No ar, não existem fronteiras: a poluição do ar pairando em um certo lugar pode ter sido provocada por atividades – indústria, combustão incompleta, uso de pesticidas – realizadas a quilômetros de distância. Por isso, temos que pensar no mundo todo como se fosse nosso quintal.

Ozônio
Tudo mundo conhece o problema do buraco na camada de ozônio, a camada protetora que fica entre 15 e 50 km de altitude acima da Terra e que filtra os raios UV. Quem vive em certas regiões está cada vez mais sob risco de contrair câncer da pele se ficar exposto ao sol. Então, o ozônio é bom? Não é não! À baixa altitude, o ozônio é um poluente que contribui para o efeito estufa. Através da parceria com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas da UNESP (Universidade Estadual Paulista – Bauru) e o Centro de Ciências Atmosféricas da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, esperamos entender mais sobre o processo de formação do ozônio e seu comportamento na troposfera. Para tal, medidores instalados na aeronave mediram também a temperatura e a umidade relativa do ar.

O Ozônio é uma molécula produzida na própria atmosfera, pela combinação de óxido de nitrogênio com compostos orgânicos voláteis (resultantes da queima incompleta de combustíveis) exposta à radiação solar. Se dispersa vertical ou horizontalmente de acordo com o vento e as condições meteorológicas. Absorve a radiação infravermelha emitida pela terra e é considerado um dos responsáveis pelo efeito estufa e as mudanças climáticas.

POPs
Os POPs parecem ser algo bom de comer, algo doce, não é? Mas são Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs), compostos químicos que perambulam pela atmosfera e são nocivos à saúde dos seres vivos. No departamento de Ciências Ambientais da Universidade de Lancaster, Inglaterra, as substâncias tóxicas coletadas em filtros de espuma durante a viagem foram analisadas para se entender melhor como se comportam, como contribuem para o aquecimento global e quais os efeitos que têm nas mudanças climáticas.

Os POPs podem ser divididos em três grupos básicos contendo centenas de compostos químicos cada um:
a) os PCBs, criados por processos industriais;
b) as dioxinas que resultam da combustão e
c) pesticidas como o DDT. São transportados pelo ar e pela água para longe de seu ponto de origem, assim contaminando pessoas e animais em outros lugares. Ficam acumulados no tecido gorduroso, causam doenças como câncer e danificam os sistemas imunológico e reprodutivo. São chamados de ‘persistentes’ porque têm vida longa, o que significa que o perigo que representam no corpo das pessoas e no meio-ambiente também é duradouro. Em 2001, foi assinado um tratado pelo qual os países se comprometeram a eliminar doze dos piores POPs.
Veja mais: Persistent_Organic_Pollutants (em inglês).

Os efeitos sobre nossa saúde
O excesso desses compostos químicos tem efeito lento e maléfico à nossa saúde. Pode causar bronquite, asma, alergias, problemas cardíacos, câncer, etc. Milhões de pessoas ficam doentes por causa da poluição atmosférica. Por que aceitamos tão facilmente esta situação e deixamos tudo continuar como está?

Pesquisadores e colaboradores

UNESP – Bauru – Instituto de Pesquisas Meteorológicas
Dr. Ngan André Bui Van, físico, doutorado pela Universidade Paul Sabatier, França, é coordenador do Grupo de Lançamento de Balões (GLB) do Instituto de Pesquisas Meteorológicas da UNESP, câmpus de Bauru. Desde 1995, estuda a camada do ozônio na região tropical, através de sensores embarcados em balões estratosféricos em colaboração com a comunidade científica européia.
Demilson Quintão, técnico em eletrônica e formado em Física pela UNESP, trabalha no GLB e é reponsável pela integração de experimentos, interfaces para aquisição, coleta e distribuição de dados, além de desenvolver sistemas para análise de dados e rastreamento de balões estratosféricos através de GPS, bem como disseminação dos dados via web.

Universidade de Cambridge, Inglaterra – Centro das Ciências Atmosféricas
Dr. Roderic Jones, doutor pela Universidade de Oxford em física atmosférica, trabalhou durante 5 anos no Serviço Meteorológico da Grã-Bretanha e agora é professor na Universidade de Cambridge. Suas pesquisas incluem medição de gases atmosféricos como ozônio e vapor d’água usando sensores leves e o uso de métodos espectroscópicos de medição in situ e remota. Essas técnicas visam esclarecer assuntos como a poluição urbana e as mudanças climáticas.
Dr. Graeme Hansford, é doutorado pela Universidade de Cambridge em técnicas espectroscópicas. Desde que se juntou à equipe de Rod Jones, tem ganhado larga experiência no desenvolvimento e uso de equipamento de medição atmosférica a bordo de balões estratosféricas. Participou no desenho de um instrumento para medir metano por absorção de laser infravermelho e atualmente trabalha sobre equipamentos super leves para a medição de ozônio e de vapor d’água.
Ray Freshwater, formado em física e eletrônica pela universidade de Brunel, trabalhou durante 4 anos na British Antarctic Survey, incluindo dois anos contínuos passados na Antártica. Sua experiência no desenho, na construção e na operação de equipamentos de medição atmosférica é muito importante para a equipe.

Universidade de Lancaster – Departamento de Ciências Ambientais
Prof. Kevin C. Jones, doutorado pela Universidade de Londres, é professor de Química Ambiental e Ecotoxicologia. Chefia o Grupo de Pesquisas de Química Orgânica Ambiental, líder mundial nas pesquisas de: ciclagem global de POPs; destino e comportamento de compostos químicos orgânicos no solo; tendências duradouras da contaminação ambiental e a exposição humana aos produtos químicos orgânicos. É um dos editores da revista Environmental Pollution.
Dr Brian Davison – Após se formar em Química, Brian trabalhou com a British Antarctic Survey, na Antártida, fazendo análises de amostras de gelo buscando depósitos de partículas. Em 1988, mudou-se para Lancaster para fazer um doutorado em química atmosférica. Desde então, tem trabalhado sempre em pesquisa de amostras da qualidade de ar analisando partículas de poluentes, gases e aerossóis.

 

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