Caracas-Fortaleza

A bela Caiena, capital da Guiana Francesa. Foto Margi Moss

A bela Caiena, capital da Guiana Francesa. Foto Margi Moss

25 de setembro – 05 de outubro, 1997

Rota: Venezuela:- Caracas (Maiquetía), Ciudad Bolívar, Canaima, Uruyen, Kavak, Maturín. Guiana:- Georgetown. Guiana Francesa:- Caiena. Brasil:- Belém, São Luiz do Maranhão, Fortaleza (Alto da Balança).

Em Maiquetía, o aeroporto internacional de Caracas, foi uma recepção calorosa por parte da equipe da Victorinox. Normalmente é proibido aos aviões estrangeiros na Venezuela pousar em pistas não controladas, mas o sr Otto Gerlach conseguiu autorização para voarmos até Canaima, o parque nacional de 3 milhões de hectares no sudeste do país, onde fica o Salto Angel. Otto é piloto de um Piper Aztec que voa pelos quatro cantos da Venezuela há 40 anos. Nos dois aviões, voamos juntos até o parque onde os tepuis – enormes fortalezas de pedra com paredes perpendiculares – surgem das planícies. São muitas as cataratas que despencam centenas de metros selva abaixo, mas Salto Angel é o rei — 980 metros ou 3.000 pés de caída. Voar ao lado do Auyan Tepui, 1.500 pés acima do solo, com as águas da catarata caindo 1.500 pés acima de nossas asas, é uma experiência inesquecível.

Saindo da Venezuela, atravessamos o delta do rio Orinoco e à nossa frente estendeu-se a floresta tropical intacta, com sua variedade de texturas e tons verdes. O tapete enrugado é interrompido apenas por um ou outro majestoso tepui, um riacho de água negra e pura ou, de vez em quando, por um enorme rio barrento como o Essequibo e o Demarara. Escondidas nesta selva ficam as cataratas de Kaieteur. Os guianenses dizem que são as maiores cataratas em queda livre do mundo (280 metros – 740 pés). Seja como for, são impressionantes!

Caiena, capital da Guiana Francesa (único país da América do Sul que ainda é colônia), é mais rica do que a Guiana de fala inglesa. O comércio é variado e encontra-se de tudo nas lojas. Gendarmes franceses patrulham as ruas, e a manteiga servida no café da manhã é importada da Normandia. Dez por cento da população de 145.000 habitantes são brasileiros – legais e clandestinos! Foi justamente a baixa densidade populacional – aliada a outros fatores, como a proximidade ao equador e a ausência de terremotos e furacões – que levou o governo francês a construir, em 1964, uma estação de lançamento de satélites em Kourou, a 65 quilômetros de Caiena. A excursão pelo Centre Spatial Guyanais é uma aula sobre o lançamento de satélites da Ariane 4 e Ariane 5, da ESA (European Space Agency). O tour, que é de graça, dura três fascinantes horas.Em Georgetown, capital da Guiana, a vida parece ter melhorado sensivelmente desde nossa última visita, em 1986. Muitos prédios coloniais, todos de madeira, foram restaurados, e vários projetos de infra-estrutura estão em andamento. É uma cidade um pouco esquisita. Afinal, fica na África, na Ásia ou na América do Sul? Há flores de lótus e bandeiras de orações hindus nos jardins das casas, há mesquitas e igrejas batistas espalhadas pelos bairros, e o cheiro de curry paira no ar. Os prédios de madeira lembram os do Caribe. Os holandeses, primeiros colonizadores (só depois vieram os britânicos), não puderam resistir à tentação de construir canais, que funcionam até hoje. Boa parte da população atual do país divide-se em descendentes de escravos africanos e indianos trazidos para trabalhar nas plantações de cana.

Finalmente voamos rumo ao Brasil. Atravessamos o rio Oiapoque e chegamos no estado do Amapá. A estrada de terra que chega até a pequena cidade de Oiapoque, no teto do Brasil, atravessa a floresta abrindo manchas de queimadas que logo viram pastos manchados pela erosão. No través de Macapá, atravessamos a linha do Equador e pronto, já estamos de volta ao hemisfério sul. No largo delta do rio Amazonas, a água marrom passa tranqüilamente por centenas de ilhas verdes até se misturar com o Atlântico. O vôo de três horas e meia de Caiena nos trouxe até Belém do Pará. Porém, ainda faltavam 1.750 km para chegar a Ponta de Seixas, o Extremo Leste das Américas, e depois mais uns 2.000 km para chegar de volta ao Rio de Janeiro.

É imperdível uma visita ao mercado Ver-o-Peso, em Belém. É um cenário que faz trabalhar os cinco sentidos, uma mistura de frutas e legumes irreconhecíveis, uma seleção de peixes estranhos de água doce e salgada que seriam o sonho de tese de qualquer cientista. Dos barulhentos ônibus que jogam fumaça no ar ou das serenas embarcações no rio, descem pessoas muito diferentes. Seguimos rumo ao leste, a São Luís do Maranhão, onde uma amiga virtual, Fernanda Martins, nos esperava no aeroporto e nos levou para passear pela cidade histórica, um colírio para os olhos de azulejos antigos, telhados avermelhados e casas coloridas.

Decolamos cedo de São Luís para sobrevoar uma das maravilhas do mundo: o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Numa área de 150.000 hectares, felizmente protegida da especulação imobiliária desde 1981, o parque faz jus a seu nome. Os quilômetros de dunas brancas parecem campos intermináveis de lençóis enrugados. Na curva meia-lua da maioria das dunas, uma piscina de água transparente que, dependendo das chuvas, pode ser grande, pequena ou completamente seca. Na costa do Ceará, sobrevoamos as comunidades de pescadores e as praias deslumbrantes debaixo de um sol sem piedade. Decolando de Fortaleza, sobrevoamos o interior a caminho de João Pessoa. Um vôo demorado acima do sertão cinzento, onde a vegetação dos morros pedregosos foi castigada por El Niño. O Brasil propositalmente esquecido, o Brasil da seca, da pobreza, da tristeza…. cedeu para as plantações de cana de açúcar e as águas mornas da costa da Paraíba, ambas verdes.

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