Rio de Janeiro-Ushuaia

Pingüins-de-magalhães em Cabo Vírgenes, Argentina. Foto Margi Moss

Pingüins-de-magalhães em Cabo Vírgenes, Argentina. Foto Margi Moss

07 de janeiro – 17 de janeiro, 1997

ROTA:  Brasil: Rio de Janeiro (Santos-Dumont), São Paulo (Campo de Marte), Navegantes, São José, Florianópolis, Capão da Canoa, Porto Alegre Argentina: Buenos Aires (Don Torcuato), Trelew, Calafate, Rio Gallegos, Ushuaia

São Pedro passou uma semana chorando a partida do ano e causando inundações. Decolamos no Romeo, nosso monomotor Sertanejo, no dia 7 de janeiro, do aeroporto Santos-Dumont no Rio de Janeiro, em condições de vôo por instrumentos. Quando enfim saímos da camada de nuvens, estávamos sozinhos acima da cidade escondida, com o Cristo Redentor, solidário, no Corcovado.

Depois de nos despedirmos dos amigos do aeroclube de São Paulo, no Campo de Marte, decolamos novamente com plano de vôo para Florianópolis. Aproamos ao Sul. Ao passar por cima da pista de Navegantes (Santa Catarina), a praia parecia tão convidativa que resolvemos parar logo ali. Eis a beleza da liberdade de passear num monomotor.

Ficamos maravilhados com a beleza das praias dos estados sulinos do Brasil. Porém, estamos com pressa para alcançar a Patagônia enquanto dura o curto verão. Depois de Porto Alegre, sobrevoamos as inúmeras lagoas da costa gaúcha – um espetáculo de cores e praias vazias – para nos despedirmos do Brasil acima do farol da Barra do Chui. Prosseguimos pela vastidão plana, intensamente cultivada, do Uruguai, e atravessamos as águas barrentas do Rio Prata para pousar em Buenos Aires, no aeroporto de Don Torcuato.

Deixando para trás os encantos desta cidade, foram quase cinco horas de vôo bem turbulento através dos pampas infindáveis até Trelew na província de Chubut. Da colonização galesa da região (anos 1880), sobraram somente algumas capelas e o tradicional chá da tarde. Na Península Valdés, a natureza reina soberana: elefantes-marinhos, lobos-marinhos, pingüins e guanacos (parentes das lhamas, só que maiores).

Mais quatro horas de voo através dos pampas e chegamos a Calafate, na beira do Lago Argentino, a porta de entrada para o Parque Nacional los Glaciares. Outro glorioso espetáculo da Natureza nos espera. Da muralha da geleira Perito Moreno, icebergs do tamanho de casas, caem de uma altura de 60 metros nas águas geladas do lago. Estamos numa plataforma construída a apenas 100 metros da geleira. O sol fraco não consegue espantar o frio do vento vindo da geleira.

Paramos em Rio Gallegos para reabastecer e visitar uma colônia de pingüins de Magalhães que se congregam aqui nesta época do ano para criar seus filhotes no Cabo Virgens. Amanhã, Terra do Fogo…

No dia em que saímos de Rio Gallegos rumo a Ushuaia, os ventos de 95 nós da véspera haviam amainado, e a ilha mágica de Terra do Fogo se espreguiçava ao sol. A paisagem da parte norte da ilha lembra a Patagônia – planícies áridas até o horizonte. Depois da cidade de Rio Grande, aparecem árvores – raridade desde que saímos de Buenos Aires – florestas inteiras!

Sobrevoamos as águas azuis do Canal Beagle com alguma turbulência de vez em quando, causada pelas rajadas dos ventos. As montanhas, com cumes nevados, surgem de todos os lados. Com bom tempo, a visibilidade na região se estende por pelo menos 100 quilômetros. As paisagens são deslumbrantes, e com luz do dia até as 22h30, temos bastante tempo para apreciá-las.

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