Oshkosh-Norman’s Cay

Um dos símbolos dos EUA, destacado contra um lindo céu de verão. Foto Margi Moss

Um dos símbolos dos EUA, destacado contra um lindo céu de verão. Foto Margi Moss

01 de agosto – 23 de agosto, 1997

Rota: USA:- Oshkosh, Pontiac, Teterboro, Washington (College Park), Hendersonville, Monroe, Myrtle Beach, Charleston (Executive), Miami (North Perry) Bahamas:- North Eleuthera, Norman’s Cay

Visitar a feira anual de Oshkosh é o sonho de todos os pilotos. A emoção começa na fila interminável de aviões pequenos chegando para o pouso. São mais de 10.000 aeronaves (isso mesmo, dez mil, espalhadas pela grama em volta do aeroporto) e portanto, é preciso seguir regras especiais. Os pilotos se organizam na fila da aproximação acima de Ripon (a 20 milhas) e seguem, um atrás do outro, a uma velocidade de 100 nós (até onde for possível), para o aeroporto de Oshkosh. Os controladores, brincalhões e bem humorados, dão instruções pelo radio, chamando os aviões não pela matrícula, mas pelo tipo e cor da aeronave. Os pilotos não devem falar no radio, apenas balançar as asas para mostrar que entenderam as instruções. É um show de eficiência.

A feira atrai um milhão de visitantes. Toda geringonça possível e imaginável que seja capaz de voar está presente: dos delicados homebuilts aos barulhentos caças (inclusive o U-2 e o bombardeiro Stealth), dos ultraleves aos ultra-pesados, dos encantadores warbirds aos românticos hidroaviões. Romeo era o avião que estava chegando de mais longe – do Rio, passando por Punta Arenas, Alasca e Resolute Bay! Além disso, era o único a ter posto as rodas em 70 países pelo mundo.

Antes de desbravar os céus da Big Apple, fizemos um desvio para sobrevoar as Cataratas de Niágara. São bonitas, mas não chegam aos pés das de Foz do Iguaçu! Depois, aproamos a Nova York, atravessando uma frente fria que nos obrigou a voar cada vez mais baixo, raspando pelos morros de New Jersey. Finalmente, pousamos no aeroporto de Teterboro, com os arranha-céus de Manhattan destacados no horizonte a apenas 20 km.

Está na hora, disse Gérard, de mostrar Nova York para o Romeo! Afinal de contas, ele nos levou pelos céus da África, da Ásia, da Austrália e da Oceania. Desde janeiro, voou 55.000 km pelas três Américas. Na companhia dos amigos Hélio e Simone, subimos o Rio Hudson e demos muitas voltas ao redor da Estátua da Liberdade. De vez em quando, uma manobra brusca para sair do caminho de algum helicóptero…

College Park, um pequeno aeroporto nos subúrbios de Washington, tem árvores altas em uma cabeceira e um morrinho na outra. Estranhamos a existência dessa pista com tanta urbanização à sua volta e, ao pousar, descobrimos que é o aeroporto de uso contínuo mais antigo em todo o mundo! Em 1909, os irmãos Wright convenceram os militares americanos das vantagens bélicas de voar – um uso da magia do vôo que está longe das intenções do nosso querido Santos-Dumont. O treinamento dos pilotos militares, então, começou em College Park. Na época, o aeroporto ficava muito distante da cidade. Hoje, tem uma estação de metrô quase na porta. Em 20 minutos, saímos na estação Smithsonian, no coração de Washington, onde fica o Air and Space Museum.

Chegando na Florida, havíamos voado 100 horas desde a Califórnia. Era o momento de mais uma revisão do motor, desta vez em North Perry.

Isso feito, estávamos prontos para atravessar o Caribe rumo à América do Sul, porém houve o problema da Julieta. Em Oshkosh, Gérard caiu de amores por esta donzela e queria, a todo custo, levá-la conosco. Ele me mandou “tirar toda aquela tralha” da cabine de trás para criar um espaço para ela! Meu ‘excesso de bagagem’ não foi resultado de excursões aos shopping centers (atividade estritamente proibida por ele!), mas sim à tendência que tenho de acumular mapas, folhetos e livros…

Enfim, Julieta embarcou e ficou quietinha no canto dela. Nas ilhas do Caribe, esta pequena motocicleta desmontável vai estar no forte dela. Voamos apenas 360 km de Miami e pousamos em North Eleuthera, nas ilhas das Bahamas. Cinco minutos de barco e chegamos em Dunmore Town, na Harbour Island. Encontramos ruas calmas que ziguezagueiam entre casas de madeira e mata verde. Ah, que maravilha o ritmo das ilhas! As pessoas não têm pressa: estão sempre prontas com um sorriso. As cores são inigualáveis. O mar transparente, azul-turquesa, vai ficando cada vez mais escuro até demarcar a linha do horizonte com um lápis preto. Aquela areia branca que parece farinha de trigo, o murmúrio suave das ondas…

Após Eleuthera, pousamos no pequeno paraíso do piloto Dale Harshbarger: MacDuffs of Norman’s Cay, nas ilhas Exumas. É um cenário dominado pela paz: a praia deserta, as águas translúcidas e nada a fazer. Em outra época, aqui funcionava o QG das operações de tráfico de cocaína do barão colombiano, Carlos Lehder. As mansões dos traficantes espalhadas pela ilha estão em ruínas. Nas águas rasas da baía, jaz um C-46. Carregado de cocaína e com o trem de pouso quebrado, não teve outra opção senão pousar na água. Hoje peixes coloridos se divertem dentro da fuselagem.

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